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O cara, as caras, as caretas e o traço de uma vida

Impossível não se encantar pela figura desse carioca tijucano. Ele já foi barman, guia de pesquisadoras estrangeira e, pasmem(!) narrador de corrida de vídeo game em Recife, terra que adotou há tempos como sua. Nada passa impune ao seu olhar e é esse, o olhar de Anderson Lucena, que mais o diferencia: seus olhos sorriem, gargalham! Captam o mundo através do humor, da criança perdida em tanto caos, mas sem perder a contemporaneidade e os traços próprios – do homem adulto e maduro - conquistado às custas de muito tempo sentado em sua prancheta. Ele se diverte, e é aí que mora a magia desse artista que vai das charges ao desenho animado, passa pelos cartoons, chegando até o desenho industrial e contornando a arte do vídeo, a ilustração e as artes plásticas em todas suas formas. Namora a publicidade e confere a ela o sabor dos tempos ‘do Onça’, sem se desgarrar do presente

Ele ri:

É um bobo, como se afirma e com a melhor definição que o termo guarda.  Talvez por isso, por acreditar tanto em ‘bobagens’, é que tenha em seu currículo colaborações prestadas ao site da saudosa revista Bundas; ou que se aventure a ilustrar capas de CDs com a alegria de quem ouve música sem ficar parado ou, ainda, empreste suas cores para o aparente mundo desbotado da política. Nesse terreno o artista trabalha com atitudes sempre coerentes, abraçando o que acredita e deixando escorrer seu humor ácido, se preciso, para transformar as realidades ao seu redor. Tanto é que espelha pra todos os cantos o sonho e a possibilidade real de uma sociedade mais humana com seu Ventilador Cultural, coletivo pernambucano criado em parceria com Luciana Rabelo e Irmã Brown para defender a democracia nos meios de comunicação.

E faz rir:

Os festivais e salões de Humor, quadrinhos e caricaturas parecem tão urgentes a ele quanto o ato de respirar. São inúmeras participações, incluindo lugares distantes e inusitados como China e Croácia.  A facilidade para lidar com o público é explícita: basta ver os resultados dos vários eventos de caricatura ao vivo em que ele participa, ou assistir a uma exposição e ficar de olho nas pessoas ao redor. Todos estampam sorrisos enormes e sinceros, mas um é sempre constante: o do próprio artista que, transbordante, encontra nas caras alegres, motivos pra seguir seu compasso e seu traçado feliz.

 

Lembro uma vez de ter lido uma frase, estampada numa camiseta que dizia: ‘Desenhar é correr o risco’. Penso em Anderson, em suas múltiplas escolhas e habilidades e um sorriso me invade. Sim, vale a pena fazer o que se acredita e ‘correr o risco’: ta na cara!

Valéria Prochnow dos Anjos